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McBeth


McBeth é de longe, minha peça favorita de Shakespeare. Muito barulho por nada vem a seguir graças a Kenneth Branagh e a Megera Domada, dele também, é imperdível. Enfim, Shakeespeare é um daqueles contadores de histórias cujas histórias serão encenadas várias e várias vezes. Infelizmente, a única coisa que não conheço dele é os sonetos. Tenho imensa curiosidade de assistir Titus Andronicus, porém é preciso ter estômago para esta. Em dada encenação, espectadores vomitaram e desmaiaram. É uma de suas peças mais brutais. No entanto, minha queridinha continua sendo MacBeth.

Há cerca de 30 anos, assisti uma montagem dos irmãos Guimarães na Sala Alberto Nepomuceno no Teatro Nacional de Brasilia. Havia uma espécie de tule negro que estava entre a plateia e a peça. Eles reduziram os personagens entre as bruxas, McBeth e Lady McBeth. Nunca consegui esquecer do grito de Lady Macbeth no meio do silêncio: Saiam, manchas! Saiam malditas manchas! Estava de carona com uma amiga da época. A pista escura e nós duas em estarrecido silêncio por conta da peça.
É sobre a ganância humana, que está em todos nós, sobre honra.

 Quando pude colocar as mãos em um livro com suas tragédias e comédias, eu o fiz. Precisava conhecer todo seu trabalho. Há pouco, conheci Titus Andronicus e não estou com pressa alguma de conhecer esta. Sempre que começava o filme com Michael Fassbender e Marion Cotillard, eu passava direto. É o tipo de filme que você precisa estar no espírito para assistir. Acredito que todas as tragédias de Shakespeare é preciso estar com uma vontade encarar os próprios fantasmas, principalmente, quando são bem feitas. Não são histórias para aliviar o coração. Ao contrário, elas tiram a esperança de qualquer alma humana de que a humanidade tem a capacidade de evoluir.

A fotografia do filme contribui para a sensação sorumbática. Ora ele traz leveza quando Lady MacBeth se apresenta. No entanto, é ela quem arma toda a morte tendo seu Senhor apenas como um boneco para fazer com que ela alcance o objetivo de ser rainha e respeitada. Como Shakespeare não nomeou a peça como Senhor MacBeth, às vezes, penso que ela poderia ser também sobre a Lady. A cena em que Marion cita as manchas sangrentas em suas mãos lembra de uma pureza contraditória em sua alma. Ela era a ambição por trás do homem.

MacBeth enlouquece e Fassbender parece ser o homem para o papel. O excesso de cores para o final. Todo o cinza se desfaz no final do filme, trazendo cores fortes para as últimas cenas de batalha. O filme mostra neste último ato que há honra também, eis que a redenção surge, quando morto, MacBeth é honrado ao lutar até seu último sopro de vida. Gostaria de assistir mais adaptações de Shakespeare por aí. A produção do filme de 2015 é impecável. Foi gravado em sete lugares diferente entre Inglaterra e Escócia.

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