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RPG (Role Playing Game) e terapia

Imagem gerada por IA 

O RPG foi criado em fim da década de 60 e começo da 70 nos Estados Unidos. Não vou entrar no que concerne a história do jogo. O primeiro jogo criado foi o Dungeons and Dragons (Masmorras e Dragões - tradução livre). Inclusive, tem um filme maravilhoso sobre o tema com o Tom Hanks, cujo título é Mazes and Monsters (Labirintos e Monstros).
Começarei por este filme para explicar o quão importante o RPG pode ser um grande aliado do terapeuta. O jogo já é usado para ajudar na socialização. No entanto, há outras possibilidades. 
A fantasia em ser um "personagem" com características completamente diferentes das "reais" permite que a pessoa possa criar uma nova história em sua mente referente a acontecimentos traumáticos.
O trauma tem uma estrutura de looping na mente. É como um alerta de perigo constante para evitar viver a mesma coisa no mundo real. Infelizmente, a ocorrência fica para sempre na mente da pessoa. 
Os tratamentos comuns para o trauma fazem com que as lembranças voltem.
Ao viver uma história como "personagem" permite à mente dar um encerramento ao que começou o trauma e tira o valor emocional do trauma. Passei anos refletindo sobre uma forma de ajudar pessoas traumatizadas. Desde que escrevi o livro Cidade dos Anjos, já pensava na estrutura de um RPG para aliviar as dores da alma.
Vivi muitas situações (que não vem ao caso aqui) que me deveriam me deixar com flashback (situação em que uma situação similar ao que gerou o trauma aconteça e a pessoa tem as mesmas sensações e sentimentos do que quando aconteceu o fato). Eu ficava obrigada com este fato. Algumas dessas ocorrências foram resolvidas no consultório do meu psiquiatra, que usou EMDR.
Finalmente, um dia, depois de uma situação horrorosa, conheci o flashback. Uma experiência pela qual nunca mais desejo passar. A diferença entre esse evento e os outros é que eu escrevia histórias sobre meus sonhos e, de alguma forma, isso me ajudava a processar as situações que passei. Jung estava certo: a arte salva.
Deste modo, o RPG pode ajudar no tratamento do trauma via fantasia e evita a lembrança dolorida do evento que destruiu a vida para sempre. É uma excelente ferramenta e tem sido algo fenomenal usar o jogo para ajudar as pessoas. Lógico que fiz algumas adaptações para o tratamento, mas tem sido uma experiência de cura tanto para mim, na posição de terapeuta, com para os pacientes.

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